sexta-feira, 18 de maio de 2018

A história de cada um




“......Lembra-se de todas aquelas caixas na garagem?
- Quais?
- As que têm Roger escrito...........Estão cheias de objetos e roupas velhas de meus pais – disse ele. – Fotos, cartas, roupas de bebê, livros e quinquilharias. O reverendo empacotou tudo quando me trouxe para viver com ele. Tratou- os da mesma forma que seus mais preciosos documentos históricos, caixas duplas, proteção contra traças e tudo o mais.
( ...)
- Uma vez perguntei a ele por que se dava ao trabalho de guardá-los, eu não queria nada daquilo, não me importava. Mas, ele disse que guardaríamos mesmo assim, era a minha história, ele disse, e todo mundo precisa de uma história. “  ( em Outlander – O resgate no Mar- p. 358-359,  Gabaldon, Diana, 2015, Saída de emergência Editora).

Não se trata de apologia a guardar tudo. Ao contrário, uma boa arrumação de armários com direito à doação e lixo sempre será muito bem vinda. Por outro lado, há a questão de manter alguns objetos como num museu para contar sua história. Como no texto de Gabaldon, devidamente acondicionados e mantidos, mesmo que não sejam olhados. O importante é saber que sua história esta ali.
Por isso, ao ensinar as crianças do Fundamental 1, é fundamental trabalhar a história delas. Com a ajuda dos pais, uma exposição com algumas roupas, brinquedos favoritos, documentos e sugiro até uma caixa de sapato decorada com fotos da família, ou seja, cada criança pode formar seu pequeno museu. Entendendo sua história, ficará interessada em outras histórias, compreenderá a passagem do tempo e valorizará os antepassados.
Os momentos onde a família conversa sobre o momento do nascimento, a gravidez, os primeiros anos de vida proporcionarão aconchego e muita roda de conversa para o lar. Por que não ver fotos e vídeos? Conversar mais com olho no olho e menos mensagens online, mais presença física!


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quarta-feira, 9 de maio de 2018

Círculos e histórias


Quem não gosta de ouvir uma boa história? Afinal, o que são as novelas, filmes ou séries senão uma história contada? Pena que não são mais contadas ao redor do fogo. Qual a importância do círculo ao redor do fogo?
Os processos circulares estão presentes na maioria das tradições de todos os povos da Terra porque o círculo favorece o olhar para o outro e, proporcionando este olhar e proximidade, torna-se mágico. As pessoas sentem-se ouvidas, por isso o processo de contar histórias se desenvolveu tão bem neste processo, pois toda a beleza e profundidade da experiência da humanidade é compartilhada. Ao invés de hierarquia, há o compartilhamento do poder.
Ao ler Outlander, deparei-me com a descrição que transcreverei a seguir, onde mesmo aprisionados, doentes, com fome e frio, há o lugar para o círculo e a contação de histórias, afinal quem não gosta de ouvir uma boa história?
“O acordo era que aquele que tivesse uma história para contar ou uma canção para cantar obtinha um lugar junto à lareira enquanto estivesse falando. Mac Dubh disse que era um direito dos trovadores, que ao chegar em grandes castelos, davam-lhe um lugar quente junto à lareira e bastante comida e bebida, em honra da hospitalidade do senhor do castelo.” ( Outlander O resgate no Mar  livro 3 Parte 1  p.49, Diana Gabaldon)       

Esta semana ao visitar uma escola de educação infantil e ver o imenso espaço com área verde que ela possui, fiquei me imaginando, sentada num círculo com meus alunos ao sol, contando e ouvindo histórias. Quantas emoções seriam liberadas e quantas aventuras surgiriam com a criatividade colocada à solta!
Ao contrário do que poderia parecer a quem por ali passasse, não seria enrolação, mas um período profícuo de aprendizagem e desenvolvimento emocional e intelectual.
Um círculo não aprisiona, ao contrário liberta. Lembra-se da alegria e liberdade sentida ao dançar e cantar uma cantiga de roda?
Que tal deixar um pouco o retângulo das telas e aproximar-se dos círculos da vida?

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terça-feira, 1 de maio de 2018

Como unir dois irmãos

Uma mãe chega em casa e vê o saldo de sua ausência: cadeiras fora do lugar, comida da cachorra remexida, mesa deslocada, um odor azedo em todo o ambiente, um líquido no chão, marcas de pés por todo o lado, uma barricada feita de cadeiras de um lado e uma fruteira do outro, luzes acesas e uma movimentação geral de vassouras e rodos.
Pode parecer que a casa foi invadida e, na verdade, foi. A mãe estarrecida pede explicações. A filha de rodo e pano de chão em punho começa a explicação. –Mãe, você não tem noção!!!!! Vim na cozinha e encontrei um caminho gigantesco de formigas!!!! Era quase um êxodo de hebreus saindo do Egito!!! Tinha uns dez centímetros de largura e de comprimento ia de lá até ali atravessando toda a cozinha. Tive que gritar pelo meu irmão!!
Neste momento, a mãe começou a rir e disse: - Se fosse por causa de uma barata!!Mas, tudo isso por inocentes formigas??”
Neste instante, o irmão parte em defesa da irmã: - Você sabia que as formigas são as responsáveis pela contaminação hospitalar?? Elas não são tão inocentes quanto parecem.
Realmente ao analisar bem, o chão estava cravejado de minúsculos pontinhos pretos pelo chão...havia milhares deles  entrincheirados  pela cozinha nadando inertes num líquido desconhecido. Concordando com os filhos, a mãe pergunta como foi que vocês dizimaram este audaz e perigoso exército de formigas?
A resposta deixou-a embasbacada: - Com vinagre.
Observando melhor o líquido em que nadavam as formigas moribundas, a mãe constatou a veracidade dos fatos sem necessidade de chamar o CSI Brazil.
Nem teve tempo de indagar o porquê da utilização daquele modus operandi, a paz findou-se e eles recomeçaram aos berros:- Mãe, olha o que ela tá fazendo? Eu liquidei as formigas, agora ela é que tem que limpar! – Mas, mãe ele exagerou no vinagre!!! – A culpa é dela!- Eu não fiz nada!!!  E tudo recomeçou..agora é aguardar, pois depois da tempestade vem a bonança. Assim, esperamos!!
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terça-feira, 17 de abril de 2018

Crianças e paredes


Já ouviram falar em registro ou arte rupestre? Desde a pré-história, o hábito de desenhar já fazia parte do cotidiano dos seres humanos. Nas paredes das cavernas e em rochas ao ar livre, encontramos desenhos que representam animais e ações do dia-a-dia da época. O ser humano evoluiu em muitos aspectos, mas desenhar ainda é uma atividade que proporciona uma sensação de bem–estar capaz de melhorar a auto- estima e auto- expressão através da  seleção de cores, formas e espaço.
O desenvolvimento da criatividade caminha junto com o da coordenação motora fina. Mas, o que é coordenação motora?  Define-se como a capacidade que o corpo tem de realizar movimentos como correr, pular, jogar. Ela é dividida em coordenação motora grossa quando se refere aos movimentos mencionados anteriormente e coordenação motora fina quando se refere a escrever, pintar, cortar, bordar, desenhar.
Na infância, ocorre o primeiro contato com a arte explorando, pesquisando, produzindo coisas novas socializando e compartilhando sentimentos e escolhas. Manuseando objetos, brincando com massinha ou pintando, a criança realiza movimentos mais delicados e essenciais para  habilidades futuras, inclusive a de escrever.
Nesta linha de desenvolvimento de habilidades motoras, pintar, desenhar ou escrever em paredes é essencial. A visão se amplia, o espaço é maior e todo o corpo participa da atividade de movimento e arte.
Alguns pintores famosos deixaram em suas casas, obras de arte lindíssimas nas paredes. Não teríamos informações do período das cavernas, não fosse pelas pinturas rupestres. Por isso, delimite um espaço, mesmo que seja nos ladrilhos do banheiro, mas deixem as crianças voarem pelo reino da imaginação enquanto desenvolvem a coordenação motora fina e a criatividade. Antes que me xinguem, deixem-me avisar que há uma tinta especialmente produzida para azulejos que pode ser usada na hora do banho. Pensem nisso!

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segunda-feira, 2 de abril de 2018

TEA - Transtorno do Espectro Autista




O Transtorno do Espectro Autista  afeta as áreas do aprendizado e da socialização.
De maneira geral e em graus variados,  apresentam   algumas das características abaixo:
  • não olham nos olhos;
  • não se voltam ao ouvir vozes;
  • não compreendem figuras de linguagem;
  • não toleram mudanças na rotina;
  • não entendem regras sociais;
  • apresentam comportamentos repetitivos;
  • enfileiram brinquedos ou objetos;
  • caminham em círculos;
  • movimentam o corpo;
  • comportamento rígido;
  • evitam o contato físico;
  • têm dificuldade para reconhecer afeto. 
Em sala de aula, é necessário:                                                    
  • usar estímulo visual ( fotografias e figuras);
  • fracionar a informação;
  • acentuar a entonação;
  • promover o contato visual;
  • evitar muitas instruções ao mesmo tempo;
  • ensinar o revezamento da conversa;
  • manter o ambiente estruturado e organizado.

Há vários e diferentes graus que variam de pessoa para pessoa. Há alguns intitulados de alta funcionalidade, pois suas características leves permitem a vida normal e independente.
Texto baseado nas palestras assistidas no congresso sobre dificuldades de Aprendizagem em ago/2013, Universidade Mackenzie, São Paulo. Organizado pela ANDEA.
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domingo, 1 de abril de 2018

Miopia, tecnologia e escola

Jornal A Tribuna  11 de março de 2018

Segundo a reportagem acima e a opinião do oftalmologista Marcos Garcia, pode ser atribuída à tecnologia,  a explosão de casos de miopia no Brasil e no mundo. A matéria chamou minha atenção porque eu já vinha observando ,em meus alunos adolescentes, a crescente dificuldade de enxergar. Embora jovens,  percebo  que estão com dificuldade para ler o que está escrito no quadro  branco e até imagens  e textos projetados. À princípio, achei que era um motivo para levantar e aproximar-se do quadro ou porque não levavam os óculos para as aulas de inglês pela vaidade típica da idade uma vez que já tinham usado pela manhã na escola.  Porém,  ao ler o artigo supra citado, deparei-me com a confirmação do que eu já  havia constatado no meu dia-a-dia.
No mesmo artigo, são sugeridas atividades ao ar livre ou esportivas que estimulem a visão de longe. Como professora e coordenadora sugiro que nos planos de aula sejam acrescidas atividades lúdicas e jogos com esse objetivo. Por exemplo:
·         mostrando figuras ou palavras de longe  e os alunos terão que ler ou reconhecer,
·         jogos tipo wall dictation onde os alunos têm que ler a palavra, correr, desenhá-la, e escrevê-la ou ditá-la para seu grupo,
·         palavras  coladas ou escritas na lousa  ou no chão em que os alunos escutam uma música ou história e correm para apanhar o slip ou marcar a palavra na lousa ao ouvir;
·         imagens ou palavras espalhadas pelo pátio para que os alunos  recolham ou agrupem-se próximo a elas obedecendo o comando da professora.

Todas esta sugestões simples, incorporadas à  rotina de sala de aula, poderão ajudar a  prevenir a miopia e acrescentar diversão e aprendizagem às aulas.

Um oferecimento:




quarta-feira, 21 de março de 2018

Aberta a temporada de caça...às figurinhas da Copa


Está aberta a temporada de caça .....às figurinhas..
Os primeiros acordes da sinfonia já começaram: os  álbuns estão sendo vendidos ou distribuídos.  Mas, será benéfico?
Quando o jogo pokemon gol foi lançado no Brasil, encantei-me ao ver famílias inteiras saindo juntos na caçada aos monstrinhos. Até já escrevi sobre isso, pois a caçada é bem eclética e variada em termos de faixa etária. Veja o link: https://considerasobreeducacao.blogspot.com.br/2017/07/pokemon-e-aposentadoria.html
Entretanto, o assunto hoje é colecionar ou não as figurinhas do álbum da Copa. Não entrarei na questão de estarmos no momento político apropriado ou não, o que vejo como educadora é a família reunida. E isso me causa uma grande alegria. Não há diferença de idade nem de gênero: avós, pais, mães e crianças, todos tornam-se amigos com a mesma idade, trocando, comprando e colando figurinhas.  A presença física tão desejada acontece e sem exigência ou obrigação. Momentos prazerosos e de interação realmente são proporcionados. Muito além dessa interação familiar, também ocorre paralelamente muito aprendizado no campo da geografia e da matemática, sem mencionar a socialização que anda tão difícil hoje em dia em virtude dos olhos estarem sempre ocupados focando uma tela.
Outro ponto favorável, é sair um pouco do mundo virtual dos tablets e smatphones, embora desta vez, a tecnologia seja uma aliada para computar as figurinhas faltantes. Um app pode controlar o seu “ estoque “ de figurinhas sem erros. Não há  mais o risco de marcar a figurinha errada nem perder ou esquecer o papel com as anotações. O app está lá prontinho para ajudar com a planilha.
Bem, mãos à obra....
Um oferecimento,